terça-feira, 30 de agosto de 2011

NÃO É DE PEDRA

Já não sei o que dizer
Da minha saudade imensa!
Se tenho força que a vença
Se ela está sempre a crescer...

Chego a pensar em doença,
Uma maleita qualquer!
Mas, se é também um prazer,
Afinal é recompensa...

Vivo nesta ambiguidade,
Neste masoquismo atroz
Só por culpa da saudade!

Esta mágoa que em mim medra,
Um sentimento me impôs.
Coração... não é de pedra...

SEM DESCANSO

Se sentes no coração
Um mais forte batimento,
Sossega, que é um sentimento
Em sua plena erupção!

Dá-lhe o teu consentimento,
Que não sejas negação
Que se opõe à intenção,
Em teu próprio detrimento.

Teu coração, sem descanso,
Num imparável balanço,
Como frenética abelha,

Se soubesse quem escreve
Derretia a fria neve
E a faria vermelha!

FEITIÇOS

Tanto quero dar um beijo
À minha Musa “Delícia”...
Porque o beijo é uma carícia,
A carícia do desejo!

Como o desejo é malícia,
A malícia que eu almejo,
Almejo agora o ensejo
De uma ocasião propícia!

Pensamentos insubmissos
São dulçorosos feitiços
Que recordam o teu vulto.

Agora, sem poder mais,
Suspirando e dando ais
Vivo em constante tumulto!

COMO PROMETI

Venho falar-te de amor
Como te prometi...
Falar de amor... é falar de ti,
Do olhar acolhedor!

E já uma vez eu senti
Nesse olhar, doce calor...
Um olhar enganador?
Então, por que o mereci?

És a rainha das Musas
E, certo, nunca recusas
Dar-me sempre inspiração

Porque bem preciso disso
Como no pior cortiço
A abelha mestra o zangão...

FALAR-TE DE AMOR

Só vou falar-te de amor,
Esse sentimento belo
E que tão bom é vivê-lo,
Sentir seu doce sabor...

Às vezes um pesadelo
Elevado ao grau maior!
Mas porquê, meu Deus, Senhor,
Paira sempre esse cutelo?

Só de amor eu vou falar-te
Se tanto ajudar a arte
E tu, Musa, me inspirares...

Amor é nada ou é tudo
E juro que fico mudo
Se tu, Musa, te calares!

MIGALHA

A camélia perfumada
Lembra-me a tua figura:
Essa face delicada
Toda cheia de candura!

Minha alma apaixonada,
Sempre na tua procura,
Encontra a porta cerrada
Sem ferrolho ou fechadura...

Penando sem esperança,
Sou como aquela criança
Desconhecida, sem nome,

Que anda de mão estendida
Para a migalha perdida
Que possa matar-lhe a fome!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Eu sinto uma dor tão doce

Eu sinto uma dor tão doce,
Parece contradição,
Como se intenso nevão
A tórrida praia fosse...

Mas é pura sugestão
Na inquietação agridoce;
Um passarinho me trouxe
A agradável sensação!


E vai doendo a ferida,
A dor quase apetecida
Que me lembra e me consola.

O tempo refina a idade,
Esta refina a saudade,
Cada uma nos imola...